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Lula defende redução da jornada de trabalho e celebra isenção do IR

Em entrevista ao UOL, o presidente tratou de vários temas que passam também por Donald Trump, Banco Master, eleições de 2026, crescimento econômico, entre outros assuntos | Foto: Ricardo Stuckert / PR

por Murilo da Silva

O presidente Lula concedeu uma entrevista, nesta quinta-feira (5), à jornalista Daniela Lima, do UOL. Foram tratados temas como a relação com os Estados Unidos, o Banco Master e as eleições de 2026. Na oportunidade, o presidente defendeu a redução da jornada de trabalho e celebrou o crescimento econômico e medidas como a isenção do Imposto de Renda.

Assista à íntegra da entrevista:

Isenção do IR

Um dos pontos destacados pelo presidente durante a entrevista foi a isenção do Imposto de Renda, que beneficia mais de 15 milhões de pessoas. Lula exaltou a medida, que isenta de IR quem ganha até R$ 5 mil, com redução progressiva para quem recebe até R$ 7.350.

“A questão do Imposto de Renda é uma novidade extraordinária, porque é a primeira vez na história que quem ganha até R$ 5 mil não vai pagar. Uma professora que ganha R$ 5 mil vai ter um ganho de R$ 4,8 mil por ano. É como um 14º salário”, reforçou Lula.

Redução da jornada e fim da escala 6×1

Atento às demandas da população, o presidente entende que passou da hora de reduzir a jornada de trabalho no país.

“Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, não é necessário que as pessoas trabalhem a mesma jornada que trabalhavam há 40 anos”, frisou.

Ele ainda criticou a postura de Ronaldo Caiado (PSD), ao dizer que, para o governador de Goiás, a jornada de trabalho diária aumentaria de 8 horas para 14 horas sem nenhum adicional. Caiado afirmou em uma entrevista que ninguém cumpre a escala 6×1 no Brasil.

Conforme indica Lula, principalmente a juventude e as mulheres necessitam de mais tempo para estudar e cuidar da família, uma vez que muitas pessoas têm dupla jornada.

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fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho são temas que o governo Lula deverá encabeçar em 2026. Porém, o presidente considera que esta tarefa deve ser compartilhada com o Congresso Nacional para que se estabeleça contato com empresários e trabalhadores e, assim, seja alcançado o melhor resultado possível.

“O dado concreto é que está na hora da gente fazer uma mudança na jornada de trabalho desse país para que o povo tenha mais tempo de estudar, de pensar”, salientou Lula.

Crescimento econômico

Outro enfoque trabalhado foi quanto ao crescimento econômico brasileiro, que gera respeitabilidade e reconhecimento internacional. Entre os exemplos destacados pelo presidente Lula está o representado pela Bolsa de Valores (B3), que somente este ano alcançou nove altas recordes.

“É um país que tem o maior aumento do salário mínimo, o maior aumento da massa salarial, a menor inflação da história. Um país que tem a Bolsa crescendo continuamente, que recebeu, só no mês de janeiro, R$ 26 bilhões de investimentos externos. Um país que tem a maior concentração de população economicamente ativa. Um país que é respeitado pela China, pelos Estados Unidos”, comemora.

Trump e Conselho de Paz de Gaza

Na entrevista, Lula informou que pretende ir a Washington para encontrar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas primeiras semanas de março. O líder brasileiro tem agenda em fevereiro na Coreia do Sul e Índia. Depois dessas viagens, que deverão contar com comitivas de ministros e empresários, o presidente deverá focar em agendas internas e, posteriormente, na eleição de 2026.

Questionado sobre o Brasil integrar o Conselho da Paz para Gaza proposto por Trump, Lula foi categórico ao afirmar que o país irá participar se houver palestinos no grupo, sendo que considera muito estranha a proposta sem a participação do próprio povo em questão. Segundo Lula, até agora o que foi idealizado se assemelha muito mais a um resort do que a uma cidade reconstruída com infraestrutura básica e moradias para os habitantes, algo visto como fundamental.

Venezuela

A recente crise entre os EUA e a Venezuela também foi abordada. De acordo com Lula, o principal foco agora não está em Nicolás Maduro, mas sim em fortalecer a democracia venezuelana: “O que está em jogo é saber se essa gente vai melhorar a vida do povo ou não”.

Banco Master: ‘Chance de pegar os magnatas da corrupção’

Sobre o caso do Banco Master, Lula disse que recebeu Daniel Vorcaro junto com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em um contexto em que o banqueiro alegava perseguição, ainda no início das investigações.

Lula observou que recebeu Vorcaro assim como já encontrou os presidentes do Itaú, do Bradesco, do Santander e do BTG Pactual, algo usual no posto em que ocupa.
Na reunião com o banqueiro, disse a ele que não haveria postura política nem contra nem a favor do banco, somente avaliação técnica sobre a conduta administrativa e financeira.

Com o desenrolar das investigações e a liquidação do banco, Lula ressaltou que a apuração agora será profunda, e que políticos e gestores envolvidos deverão responder por seus atos.

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“O que é importante ter claro é que nós vamos a fundo nesse negócio. Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro e o estado do Amapá colocaram o dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília? Quem está envolvido?”, questionou.

Após os acontecimentos que apontaram a gestão fraudulenta de Vorcaro, Lula convocou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, junto com Galípolo e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, para ouvi-los sobre o caso, pois, segundo o presidente, esta “era a chance real de pegar os magnatas da corrupção, da lavagem de dinheiro, desse país”.

INSS

A jornalista perguntou a Lula sobre o nome do filho ter sido mencionado nas investigações sobre a fraude no INSS. O presidente indicou que falou com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e disse que o filho pagaria o preço se estivesse envolvido no caso.

“Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda”, disse Lula ao filho.

Juros e gestão Galípolo

Apesar das críticas da sociedade e dos movimentos sociais sobre a condução da política monetária pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, Lula aliviou o tom em relação ao seu indicado ao elogiá-lo, apesar dos juros altos.

Segundo o presidente, ele e Galípolo se falam rotineiramente, situações em que se queixa dos juros altos, em 15% ao ano, porém pondera que nos seus governos anteriores, Henrique Meirelles, no comando do BC, também tomou decisões duras com base nos cenários futuros e condições do mercado.

“Feliz do país que tem um menino, um jovem com a esperteza do Galípolo no Banco Central”, falou Lula.

Eleições 2026

O presidente Lula evitou fazer projeções e falar sobre sua pré-candidatura à reeleição. Disse que somente irá cuidar disso após as convenções partidárias no meio do ano e que até lá as pesquisas eleitorais se apresentam muito distantes da realidade, uma vez que os candidatos não estão definidos.

Apesar disso, apresentou confiança de que pode vir a ser eleito novamente: “Nós vamos ganhar as eleições outra vez. Não é porque eu sou bom, mas porque o Brasil precisa de democracia”.

Sobre o cenário eleitoral nos estados, crucial para garantir palanque nas principais praças eleitorais, o líder nacional disse que ainda não desistiu do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como candidato ao governo de Minas Gerais: “Eu ainda não desisti de você, viu, Pacheco? Você sabe que nós vamos ter uma conversa. Eu acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais”, insinuou.

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Já em São Paulo, o presidente afirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Fernando Haddad sabem das responsabilidades deles, assim como a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que pode vir a se candidatar pelo estado.

“Temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem”, ressaltou Lula, ao indicar que ainda irá conversar com Tebet.

Mandato para ministros do STF

A discussão sobre mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também surgiu na entrevista e Lula questionou os longos períodos que os magistrados ficam à frente da corte, uma vez que podem entrar com 35 anos e ficarem até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos.

Para o presidente, é possível discutir que os ministros do STF tenham mandatos com um tempo determinado, mas que isto deve ser debatido dentro do Congresso Nacional. Lula fez questão de ponderar que isso não se liga às demandas bolsonaristas que visam atacar o Supremo, ainda mais após o julgamento dos atos golpistas do 8 de Janeiro, classificado pelo presidente como a “maior lição de que as instituições têm respeitabilidade nesse país”.

Fonte: Portal Vermelho com Portal UOL Notícias

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