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Artigo: “Mulheres trabalhadoras: mais do que ocupar espaços, é hora de transformá-los”

Participar do Encontro Nacional das Mulheres Trabalhadoras da CSB foi, antes de tudo, um exercício coletivo de escuta, troca e construção. Mais do que um evento, tratou-se de um espaço legítimo de fala, onde mulheres de diferentes regiões do país trouxeram suas vivências, desafios e propostas, reafirmando o papel fundamental que ocupam na luta sindical e na transformação social.

A elaboração do relatório final da sessão deliberativa, realizada no dia 27 de março de 2026, revelou a potência desse encontro. Cada proposta apresentada carrega não apenas uma demanda objetiva, mas também histórias de resistência, sobrecarga, desigualdade e, acima de tudo, de esperança e organização.

Ao sistematizar essas contribuições, tornou-se evidente que a realidade das mulheres trabalhadoras vai muito além das relações formais de trabalho. As pautas levantadas atravessam o cotidiano, passando pela maternidade, pela saúde mental, pela violência de gênero, pela responsabilidade quase exclusiva com o cuidado e pela necessidade urgente de reconhecimento e equidade.

Um ponto importante desse processo foi a decisão de manter, no relatório final, propostas que, à primeira vista, poderiam ser consideradas fora do escopo sindical. Essa escolha não foi casual, mas política. Foi o reconhecimento de que o movimento sindical precisa dialogar com a vida real das trabalhadoras, e essa vida não se limita ao ambiente de trabalho. Ao contrário, é impactada diretamente por políticas públicas, por estruturas sociais e por desigualdades históricas que precisam ser enfrentadas de forma ampla.

As falas das companheiras evidenciaram, por exemplo, a urgência de políticas que garantam o direito das mães acompanharem seus filhos sem prejuízo, o apoio às mulheres do campo, a criação de redes de acolhimento contra a violência, e a necessidade de programas de saúde mental com recorte de gênero. Também ficou clara a importância de investir na formação de novas lideranças e na inserção das jovens mulheres no movimento sindical, garantindo sua continuidade e renovação.

Outro aspecto marcante foi o reconhecimento da importância do acolhimento entre as próprias mulheres. Romper com padrões impostos, desconstruir comportamentos internalizados e construir relações de apoio mútuo são passos fundamentais para avançarmos coletivamente.

É importante destacar o papel da CSB nesse processo, que, na pessoa de seu Presidente, Antônio Neto, que com seu olhar sempre generoso tem demonstrado compromisso com o fortalecimento da pauta das mulheres trabalhadoras. Da mesma forma, a atuação da Antonieta de Faria (Tieta), à frente da Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora, tem sido fundamental para garantir espaço, escuta e encaminhamento das demandas apresentadas.

Esse encontro reafirma que não há como pensar em um movimento sindical forte sem a participação ativa, consciente e valorizada das mulheres. Mais do que ocupar espaços, é preciso transformá-los.
A CSB, por meio de sua Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora, tem um papel estratégico nesse processo. Cabe a nós não apenas ouvir, mas transformar essas demandas em ações concretas, políticas estruturadas e incidência institucional.

Fortalecer as mulheres trabalhadoras é fortalecer toda a classe trabalhadora. É ampliar o olhar, reconhecer desigualdades e construir soluções que dialoguem com a realidade. É, sobretudo, fazer do movimento sindical um espaço mais justo, inclusivo e representativo.

Seguimos com o compromisso de transformar as vozes ouvidas em políticas, e as propostas apresentadas em conquistas reais.

Juliana Guaraldo Diniz
Diretora Financeira do Sinplalto – Araxá/MG
Diretora de Assuntos Previdenciários Municipais da FESMIG

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